Conversas com arquitectos

12 Nuno Portas


ISBN 978-989-98808-5-6

Edição CIAMH, FAUP

Ano 2020

Número de Páginas 134

Dimensão 14,5x22cm

Onde Comprar

AEFAUP

www.ciamh.up.pt

Sobre a coleção



“Trata-se de uma colecção de entrevistas feitas pelo arquitecto Nuno Lacerda Lopes. São conversas entre arquitectos da Escola do Porto onde se procura compreender o processo de construção de um ideal de arquitectura, de profissão, de sociedade e de escola, tendo por base uma reflexão pessoal e aberta e até esclarecer as inquietações teóricas e práticas bem como as circunstâncias que fundamentam a arquitectura portuguesa dos dias de hoje.”

Excerto - primeira pergunta da entrevista a Nuno Portas



Boa tarde Professor Doutor Nuno Portas.

Doutor não.


Não é Doutor, mas é Professor!

Sou Professor sem ser associado. Sou Catedrático sem ser Doutor.


Sem ser Doutor!

Não éramos Doutores.


Era acerca disto que eu gostava que me falasse um pouco, da sua formação, desse tempo em que foi formado... Porque a ideia que se tem quando se fala consigo, quando se estuda também a sua obra e todo o seu percurso, a sua vida, é de estarmos em presença da própria história da habitação e da arquitectura portuguesa, não é?

Mais ou menos. É porque já é longa.


Ou porque é importante, ou porque é...

Não. Mas, de facto, foi um dos meus começos, quando acabei a escola em... A gente nunca sabe bem quando é que acabou a escola. Naquela fase não havia prova final, iam-se fazendo provas. Mas isso não é relevante. O que é relevante, digamos...

Estávamos no ano 1955, mais ou menos – 1956, 1957, por esses anos – acabei o curso e tinha que preparar uma tese, que nessa altura era o trabalho final. E eu, juntamente com outros colegas de Lisboa (como o Pedro Vieira de Almeida, que agora é professor aqui no Porto) decidimos fazer umas teses, chamadas teóricas, coisa que o professor – nessa altura importante, que era o Cristino da Silva, que foi um grande arquitecto nos tempos de jovem, mas que já estava em fim de vida académica – juntamente com outros lá da escola, não aceitaram as teses teóricas. De maneira que nós falámos com o Professor Carlos Ramos e, por isso, vim fazer a tese ao Porto.

Vim fazer a tese ao Porto, nunca tendo frequentado o Porto, a escola do Porto, a escola de Belas Artes, e com, exactamente, uma tese que era sobre a tipologia da habi- tação colectiva. Julgo que ainda há para aí um exemplar. Eu não tenho nenhum, mas acho que há. Em tempos pensou-se republicá-lo, mas aquilo é um trabalho bastante datado, porque pretendia ser um trabalho de novidade naquela época. Não faz sentido publicá-lo agora...

De qualquer modo, nesses dois, três anos eu aproxi- mei-me muito de sociólogos. Sobretudo sociólogos: o Sedas Nunes foi um dos fundadores da revista, foi o fundador da revista Análise Social e do ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) em Lisboa. Consegui um certo enquadramento nessa fase para fazer o trabalho, julgo até que uma bolsa, e fiz isso ao mesmo tempo que comecei a fazer para a Gulbenkian... o que depois viria a ser para a Gulbenkian, a finalizar. Mas de início até foi um grupo de trabalho meu, voluntário... Uma pesquisa sobre a arquitectura moderna portuguesa até àqueles anos 50, que foi publicada mais tarde, bastante mais tarde, em artigos sucessivos no Jornal de Letras, e depois, mais tarde ainda, na história do Zevi, aquele capítulo sobre Portugal.”